O inCafé é um sonho antigo. Para explica-lo, terei que falar um pouco de mim mesmo. Em 1998 plantei meu primeiro café. Porém, devido à atuação profissional, eu residia longe da lavoura. Assim, na prática eu não vivia a cafeicultura. Era, apenas, uma atividade adicional que, se não me ajudava financeiramente, também não atrapalhava. Claro que, desta forma, minhas safras eram sempre um grande empate técnico, ou seja, quando havia lucro ou prejuízo, eram pequenos.
Porém, a coisa foi tomando corpo, ao mesmo tempo em que eu ia adquirindo uma quase ojeriza à cidade grande. Então a cafeicultura começou a surgir como uma alternativa interessante para eu abandonar o caos urbano, ao mesmo tempo em que eu faria o que gostava: produzir - seja um projeto de engenharia, um programa de computador ou... café!
Em fins de 2011 tomei a decisão definitiva. Apurei tudo que tinha, tratei de preparar a minha substituição nas empresas em que eu trabalhava e, em fevereiro de 2012, mudei para Monte Carmelo, minha cidade natal e onde eu tinha meu cafezal.
O que essa história tem a ver com o inCafé? Bom, para gerenciar a lavoura, devido à minha formação profissional, eu fiz pequenos programas para apurar custos, colheitas, procedimentos executados, receituário agronômico e outros processos rotineiros da produção de café. E no momento em que esses programas começaram a ficar, digamos, interessantes, planejei juntá-los de forma coerente em um sistema. A esse sistema dei o nome inCafé, numa alusão singela, quase pueril, mas um tanto pretensiosa, às palavras "inteligência" e "café".
O curso de Pós-graduação em Cafeicultura que fiz pelo Rehagro foi o empurrão que faltava na minha preguiça de acordar a minha porção programador e fazê-la produzir em meio ao delicioso e desafiador caos da produção cafeeira. Até porque, num ato impensado e insano, assumi a responsabilidade de criar, juntamente com a Monografia do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), uma ferramenta de apoio à prescrição de adubação. Daí para o sistema foi realmente um movimento natural.
Como o software, para ter um alcance maior e não incomodar o usuário (e, claro, a mim também!) com novas versões, downloads, incompatibilidades, etc., deveria ser, necessariamente, disponível na web, imaginei um site (detesto a palavra portuguesa "sítio" para designar um site...) que abrigasse não apenas o sistema, mas algumas informações, textos interessantes e o que mais surgir, dentro do universo café.
Claro que, no momento em que escrevo esse texto, o sistema, em si, ainda não tem uma boa estabilidade, por isso nem está completamente disponível. No entanto, ao escrever estou quase me forçando a virar algumas madrugadas para torna-lo real.
(Deixarei o parágrafo seguinte como um desafio para que eu me cobre, diariamente, a publicação de uma versão estável do sistema).
Em XX/XX/XXXX, finalmente o sistema teve sua primeira versão estável colocada no ar.
SOBRE O AUTOR
Meu nome é Marden Cicarelli. Sou Cafeicultor em Monte Carmelo, Bacharel em Ciências da Computação pela UFMG (1985), MSc em Tecnologia pelo CEFET/MG (2003), Engenheiro Civil pela FEA-FUMEC (2008) e Especialista em Cafeicultura pelo Rehagro (2014)
Àqueles que acham que dois cursos superiores é muito, vergonhosamente digo que já comecei outros três: Engenharia Elétrica (UFMG, 1981), Administração (UFU, 1990) e Agronomia (UFU, 2012). E ainda pretendo retomar este último!
Toco, hoje, 76 ha de café. Leciono desde 1984, embora eu esteja abandonando a docência por muitos motivos (alguns filosóficos, alguns bastante concretos -- um dia crio um blog a respeito), dentre eles, dedicar-me mais firmemente à cafeicultura e ao Projeto inCafé.
Assim, sou cafeteiro, computeiro e engenheiro, não necessariamente nesta ordem.
O custo pelo uso do site e do sistema é potencialmente nenhum. Antes que o leitor/usuário faça uma imagem de um cafeicultor milionário e magnânimo, eu me explico: se eu quiser fazer desta atividade minha atividade principal, então eu teria que me envolver com marketing, equipe, contratar pessoas, gerenciar o negócio e... abandonar meu café. Não é o que pretendo no momento.
Ao deixar o sistema de uso livre, eu tenho mais chance de que ele realmente venha a ser usado e, assim, talvez até evoluir melhor do que um processo comercial normal, um "negócio" tradicional.
Mas - e sempre tem um mas - eu sou um reles mortal. Eu como, bebo, fico doente, visto, calço, cuido de minha família. Assim, o inCafé estará sempre aberto a parcerias. Anúncios, por exemplo. E também a contribuições voluntárias.
E - acredite! - fazer sistemas dá muito trabalho. Claro que eu quero ser remunerado por isso. Mas o modelo de negócio tipo "pague e use", para software, está meio esgotado. Até porque, com esse sistema, eu não terei inventado nada excepcional, inovador ou absolutamente imprescindível. Nada que alguém, com tempo, conhecimento e dinheiro, não possa reproduzir e vir ameaçar meu "negócio". Assim, fica inventado um "não-negócio". Algo como "use e pague, se quiser".
Mas isso não significa que eu não tenha mesmo investido tempo, conhecimento e dinheiro nisso tudo. Se eu vier a receber pelo menos uma mensagem de agradecimento ou de reconhecimento, isso já me fará feliz. Sério, sem pieguice ou mimimi.
A propósito, como falei que aceito e aceitarei doações, eu ficaria muito grato se alguém pudesse sugerir uma logomarca melhor para o inCafé. Essa logomarca do grão de café formando uma lâmpada, tentando unir os conceitos de "café" e "inteligência", é muito xexelenta.
(ATUALIZAÇÃO: Utilizei os serviços do Fiverr.com [graças à indicação de meu amigo e guru Marcelo Murrer] e eles fizeram uma boa logomarca por módicos US$5. Indico a quem precisar de serviços profissionais. Mas continuo aberto a melhorias. Ideias são sempre muito bem vindas!)
USO NÃO IDENTIFICADO
Sempre que você usar o site de forma não identificada o programa sugerirá uma contribuição, na forma de um boleto. Sem valor, vencimento, sem protesto, e sem "beicinho" se você decidir não pagar. Você poderá, por exemplo, submeter 50 análises de solo, ignorar 49 boletos e decidir contribuir com o último. Ou não. Ou pagar todos (e, claro, eu vou adorar...)
USO IDENTIFICADO
Para aqueles usuários identificados, no momento do cadastramento você pode determinar a atitude que o site irá tomar com relação à sua contribuição. Você poderá simplesmente se abster de receber boletos, você pode optar por receber um boleto mensal, em seu email, no valor que você determinar, ou ainda receber um boleto a cada procedimento no site (calma, farei o possível para isso não se tornar um martírio para o usuário).
Quando você se cadastra, você determina como o site vai se comportar com relação a isso. Repito, escolha "não quero receber cobranças" e o sistema assim se comportará. Mas eu, ou melhor, o sistema, reservará a si o direito de enviar-lhe alguns e-mails lembrando que, eventualmente, você pode contribuir com o inCafé...
Também serão enviadas mensagens quando você tiver um longo tempo sem uso.
E, finalmente, se você começou a achar que isso tudo vai ser muito chato: você poderá dizer que não quer receber mensagens de jeito nenhum, e eu respeitarei. Exceto os resultados do sistema que eventualmente tenham que ser enviados desta forma.
2008 - Os primeiros programinhas foram feitos. Era o abandono da planilha em nome de uma melhor forma de buscar dados. Benditos bancos de dados!
2011 - Finalmente, decido me tornar cafeicultor de verdade.
2012 - Mudança para Monte Carmelo; melhorias no sistema.
2013 - Início do curso de pós em cafeicultura pelo Rehagro. Talvez o empurrão que faltava.
2014 - (NOV) primeira versão do site, apenas com a funcionalidade da prescrição de adubação.
2015 - (MAI) Novo visual, sistemas mais estáveis, primeiras versões realmente úteis.
O inCafé não está nas redes sociais. Embora eu seja um cara de tecnologia, até hoje não tenho Facebook, não uso Twitter, meu celular é jurássico (apenas fala e tira foto; selfies? nem pensar! Pau-de-selfie? bom... deixa pra lá!). Sinceramente, não consegui tempo nem saco pra gerenciar as tais redes sociais. Ainda não vi sentido em ficar avisando ao mundo o que estou fazendo. Acho que o mundo não devia se interessar por isso. Não me vejo com as mãos sujas de fertilizante digitando em tecladinhos minúsculos algo como "Fertirrigando o setor 4 com uréia e cloreto."
No dia em que o inCafé tiver 1000 usuários cadastrados, eu prometo contratar pessoas e criar contas em Redes Sociais. Até porque 1000 usuários é muita gente, e certamente esse pessoal vai querer conversar com o inCafé. Mas ainda assim não falarei da fertirrigação no setor 4!
Para cada funcionalidade que mereça alguma explicação maior, farei meu maior esforço para manter helps no sistema e manuais de uso na biblioteca.
Notem que o fato de "fazer o maior esforço" geralmente é usado por alguém quando não vai fazer. Mas não deve ser esse o caso. Até porque um sistema sem explicação tende a não arrebatar usuários.
Mesmo não tendo (ainda) uma versão formal de um manual, pelo menos posso resumir o conceito de uso do sistema inCafé. Temos duas formas de acesso: a Identificada e a Anônima. A identificada permitirá que o sistema guarde seus dados (por exemplo, o tamanho e o espaçamento dos seus talhões), para todas as operações possíveis no site. Além disso, ele poderá manter seu estoque, as recomendações fitossanitárias, custos, fluxo de caixa, planejamento fitossanitário, etc. Enfim, comportar-se como um sistema.
A utilização Anônima não permite tudo isso, mas não porque eu sou chato. Veja bem: se eu não tenho como identificar seu acesso, como poderei guardar os dados para os acessos posteriores? Então, o acesso Anônimo permitirá apenas alguns usos pontuais, mas ainda assim úteis para o seu dia a dia.
Finalmente, uma característica importante. Quando o sistema estiver totalmente funcional, será possível aceitar acessos diferenciados para Produtor e Consultor, de forma que o Consultor tenha acesso à área de recomendação, por exemplo, mas não aos custos. Enfim, será praticamente um "receituário online", agilizando a gestão da lavoura e armazenando informações que possivelmente nem o produtor nem o consultor se recordam facilmente (por exemplo, quando e o que foi aplicado de pré florada no talhão 9 em 2013?)
Talvez seja muita pretensão de minha parte que meu projeto ganhe um corpo tal que demande treinamento para os inúmeros usuários. Claro, não custa sonhar.
Como professor, claro que posso montar cursos e palestras de treinamento na utilização do sistema. Mas não tenho nada estruturado no momento.
Fico aberto a grupos que queiram algo assim, mas isso tem que ser planejado e, obviamente, haverá custos (deslocamento, alojamento). Se for em Monte Carmelo, basta conseguirmos o local!
Política de privacidade é coisa séria. Parte do site pode ter o uso totalmente anônimo, mas isso tem suas desvantagens. É impossível gerenciar uma propriedade lançando dados a cada acesso; assim, não será possível o acessar a maioria das funcionalidades do sistema sem identificação. Mas você pode submeter uma análise de solo, por exemplo. Mas, anonimamente, você não terá como recupera-la para algum ajuste posterior; você será obrigado a redigitar tudo novamente, pois o sistema não terá como conectar os seus dados ao seu acesso se ele não for identificado.
Para aqueles usuários que criarem um acesso, as informações cadastrais serão opcionais. Exceto, claro, o email, que servirá como acesso ao sistema e para alguma comunicação absolutamente necessária (por exemplo, recuperar uma senha).
Os dados informados ao inCafé não serão compartilhados de maneira nenhuma.
No momento do cadastramento, você informará se o seu email pode ser utilizado para fins de publicidade. Mas é muito importante explicitar esse conceito de publicidade no contexto inCafé. Nós não utilizaremos seu email para promover produtos não ligados à cafeicultura. O inCafé não cederá o seu email para envio de mensagens em massa. Mas poderá, desde que você assim determine, enviar mensagens de parceiros do site (no momento em que escrevo, eu tenho zero parceiros, mas como falei lá em CUSTOS, eu estou aberto a eles), ou ainda informando a ocorrência de eventos, congressos, feiras, etc.
Mas, reafirmando: você poderá simplesmente solicitar que o sistema não envie esse tipo de mensagens para você.